Por que as pessoas bebem? A ciência e a cultura por trás do álcool
Como escreveu certa vez o poeta Charles Bukowski: “Se algo de ruim acontece, você bebe na tentativa de esquecer; se algo de bom acontece, você bebe para comemorar; e se nada acontece, você bebe para fazer algo acontecer”. As pessoas bebem por inúmeras razões, mas se o álcool realmente oferece o que procuram é outra questão. Apesar dos benefícios que muitas vezes são de curta duração, o álcool mantém um forte controle sobre a humanidade – e assim o faz há séculos. Então, por que as pessoas bebem? E por que eles gostam de ficar bêbados, mesmo quando isso claramente não contribui para o seu bem-estar a longo prazo? Parte da resposta está na ciência; outra parte reside na influência cultural.
Uma história embriagada
De casamentos e churrascos a simples jantares em casa, o álcool costuma ocupar o centro das atenções. Essa atração pelas bebidas alcoólicas remonta a milhares de anos. Mas o que o torna tão atraente?
A história do álcool é tão antiga quanto a civilização. Os arqueólogos acreditam que os nossos antepassados descobriram a fermentação por acidente – talvez quando frutas ou grãos foram deixados a apodrecer num recipiente com água. Este feliz acidente rapidamente se popularizou à medida que as pessoas experimentavam os efeitos desta mistura “mágica”. Imagine a alegria daqueles primeiros humanos quando um gole de fruta fermentada fez desaparecer as suas preocupações pré-históricas.
Desde os antigos sumérios e egípcios que fabricavam cerveja até os gregos e romanos que consideravam o vinho um alimento básico, o álcool flui pela história da humanidade há milênios.
“Algumas danças para lembrar, algumas danças para esquecer”
Quando você bebe uma bebida alcoólica, o etanol – o ingrediente ativo – entra na corrente sanguínea e viaja até o cérebro. Lá, ele entra no sistema de recompensa do cérebro, liberando neurotransmissores de bem-estar, como a dopamina. O resultado? Uma sensação calorosa e confusa, risadas sinceras e inibições reduzidas que ajudam você a relaxar e a se sentir mais sociável. É uma euforia despreocupada sob demanda – não admira que possa se tornar irresistível!
O “gancho” que mantém as pessoas voltando ao álcool varia. Alguns são atraídos pelas suas qualidades estimulantes, enquanto outros o utilizam principalmente para relaxar. Alguns bebem para se inspirar; outros bebem para esquecer. Também é comum sentir ambos os impulsos, dependendo da situação.
Por que as pessoas gostam de ficar bêbadas (mesmo quando isso causa problemas)?
Não importa a motivação, o uso contínuo de álcool geralmente traz uma reviravolta na história. Com o tempo, a relação do cérebro com o álcool pode tornar-se difícil. Você pode começar a confiar nele para se sentir à vontade, aliviar o estresse ou socializar – e é aí que os problemas podem começar.
A questão principal é a tolerância: você precisa de mais álcool para sentir o mesmo efeito eufórico. Com o consumo regular, o cérebro se ajusta diminuindo os níveis naturais de neurotransmissores como a dopamina. Como resultado, você precisa de cada vez mais álcool para sentir o mesmo efeito – e esse efeito se torna mais difícil de alcançar. Com o uso intenso, o prazer desaparece e você pode acabar bebendo só para se sentir “normal”.
Coragem líquida em um copo
Não é apenas a biologia que nos atrai para o álcool – os factores sociais também desempenham um papel importante. Os humanos são criaturas sociais. Adoramos reuniões e festas, e o álcool muitas vezes assume um papel de destaque. Por que? Beber pode nos ajudar a relaxar e baixar a guarda, tornando as interações sociais mais tranquilas e fáceis.
No entanto, apoiar-se no álcool como lubrificante social pode ser uma ladeira escorregadia. Como qualquer atalho, pode parecer ótimo no momento, mas fazer você se sentir pior mais tarde.
Libertando-se do fascínio do álcool
Se você está pensando em mudar seu relacionamento com o álcool – quer isso signifique reduzir ou desistir – aqui estão alguns passos para ajudá-lo ao longo do caminho:
- Beber com atenção. Preste atenção em quando e por que você está bebendo. Você está pegando um copo por hábito, estresse ou pressão social? Reconhecer seus gatilhos é o primeiro passo para a mudança.
- Bebidas alternativas. Abasteça sua geladeira com opções não alcoólicas, como chás de ervas, água com gás ou cervejas sem álcool. Eles podem ser igualmente satisfatórios!
- Encontre novas estratégias de relaxamento. Se você usa álcool para relaxar, experimente ioga, meditação, leitura ou um passeio no parque como seu novo “happy hour”.
- Mantenha-se social, sem álcool. Não desista da sua vida social – apenas mude o foco. Experimente noites de cinema, caminhadas ou aulas de culinária. Você pode criar momentos ainda mais memoráveis sem uma bebida na mão.
A jornada rumo à mudança tem seus altos e baixos, mas com determinação e as estratégias certas, você pode escrever um final mais saudável e feliz. Lembre-se, o objetivo não é apenas sobreviver – é prosperar.